Depois de termos onde casar, confesso que a minha grande preocupação era o vestido de noiva. Há muita coisa que pode falhar mas não o vestido! Como já vos disse, tenho sido uma noiva tranquila. Aliás, decidir que cinco meses chegam para preparar um casamento não é para qualquer noiva, pelo que me tenho apercebido.
Ora, comecei com os telefonemas para algumas lojas para fazer a marcação e quando me perguntavam para quando era o casamento e eu respondia o dia, frisando que era deste ano, havia um pequeno momento de pânico do lado de lá. "Mas COMO é que uma noiva é tão descuidada e deixa o vestido para a última hora? COMO?" Não perguntavam, assim, tinham cortesia na escolha das palavras, mas o tom de voz mostrava bem o que sentiam. E eu respondia do alto da minha calma, que até era das primeiras coisas que estava a fazer, tinha era decidido que não ia andar um ano a tratar do casamento. E lá fiz as marcações.
No primeiro dia, tinha marcado três lojas. Fiz o meu trabalho de casa e fui com algumas referências já escolhidas de cada site, para orientação.
Chego à primeira loja e começamos com o pé esquerdo porque o vestido que eu mais tinha gostado no
site já não havia. Tenho a certeza que a minha cara revelou todo o desagrado com a notícia mas já que ali estava ia experimentar alguns do mesmo género. Devo confessar-vos que achei divertidíssimo andar naquele veste e desfila. Tive a sorte de todos os vestidos que experimentei serem o meu número (assim não tive de andar nem com molas a apertar, nem com metade das costas desapertadas por não conseguir fechar) o que deu para ter uma ideia clara de como ficava com cada modelo.
Comecei por experimentar dois do mesmo género,
A-line, que era a ideia que mais me agradava. Mas não estava a sentir elegância suficiente. Então resolvi experimentar um com a cintura mais descida, que já me agradou mais um bocadinho, e outro desse género que me fazia uma silhueta bonita. Como estava a ser rápido, antes de ir embora pedi para experimentar um vestido tipo sereia, só para ter a certeza que não queria nada daquilo. Este tipo de vestido, justinho e tal, nunca me chamou a atenção e era o único estilo que JAMAIS me imaginaria a usar. Mas dizem que devemos experimentar todos os tipos porque cada corpo é um corpo e depois temos surpresas e bla bla bla, então resolvi experimentar. E aquele ficava-me muito bem! Não gostei particularmente daquele vestido, mas sabia que tinha chegado à silhueta que mais me agradava. Seria possível? Aquilo que eu NUNCA quis é o que eu agora mais gosto?
Fomos para a segunda loja com um estado de espírito completamente diferente. Eu que tinha vindo com tantas certezas agora era toda admiração com o que estava a preferir. Quando lá cheguei, disse que as referências que tinha tirado da net não iam ser usadas porque afinal queria uma coisa completamente diferente. E ela lá escolheu alguns dentro do que eu pretendia. Experimentei o primeiro e... não sei explicar. Não era a Cat a experimentar vestidos de noiva. Eu era a NOIVA CAT com o meu vestido de noiva. E assentava que nem uma luva! Se me quisesse casar no dia a seguir podia porque nem bainha precisava. Era o meu número, assentava na perfeição! As minhas amigas, a minha mãe, a minha futura sogra, todas levantaram a placa com a nota mais alta (sim, havia placas para classificar os vestidos!) e nem precisavam porque o meu sorriso dizia tudo.
Ainda experimentei mais dois mas no fim voltei a vestir o primeiro. As minhas amigas cantarolaram a marcha nupcial. Eu chorei. Abracei a minha mãe e fiquei com o vestido.